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Entrevista

Joana Caldeira Martinho lança olhar de reflexão ao Programa de Capacitação

Ciclo de Workshops, Eixo que Transforma

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Algumas formações terminam quando a última apresentação acaba, outras continuam nas questões que permanecem a ecoar. Ao longo de três workshops do programa de capacitação do Eixo que Transforma, promovido pela Plataforma de Direitos Humanos, Organizações da Sociedade Civil (OSC) reuniram-se para falar de igualdade, direitos das mulheres e advocacy. O que mudou desde então?

Para compreender o pós, entrevistámos Joana Caldeira Martinho, facilitadora das sessões de acompanhamento que se seguiram aos workshops. Na sua perspetiva, as organizações ficaram “sem dúvida mais informadas sobre instrumentos relevantes para a sua intervenção e advocacy, como a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW)”, mas a informação não foi o único impacto.

“Pelo que vi, as OSC chegaram às sessões de acompanhamento com experiência de refletir e debater como as práticas podem ou não incorporar estes princípios de promoção dos direitos das mulheres: a nível mais individual e no relacionamento da organização com as pessoas suas beneficiárias e com organizações parceiras.”, explicou à PDH. Essa experiência de reflexão também foi mencionada no feedback recebido pelos participantes. Neste vemos multiplicadas as referências à “troca de experiências entre organizações”, à “partilha de informação por especialistas”, à “boa interação entre participantes” e ao “ambiente facilitador da partilha”. Fala-se também da “partilha de experiências num ambiente descontraído” e da “interação e dinâmica da sessão”, mas para Joana Caldeira Martinho o ponto fulcral é outro: a consciência do próprio papel.

 

Essa reflexão prática que observei tem um grande potencial de consciencializar cada pessoa participante no programa de capacitação do seu papel e poder para promover estes direitos ou não.” – Joana Caldeira Martinho

 

Trabalhar direitos das mulheres implica mexer em camadas profundas, em OSC feitas “de pessoas, com as suas histórias, experiências de vida positivas e negativas, vieses, resistências, entusiasmos.” Joana Caldeira Martinho afirma que uma organização é como “uma pessoa feita de pessoas”, e lembra: “se a mudança é normalmente desafiante para uma só pessoa, ainda mais é para uma organização onde vários seres humanos têm de se alinhar para a fazer acontecer de forma sustentável e inclusiva.”

Ciclo de Workshops, Eixo que Transforma

 

Essa dimensão humana aparece no testemunho de Carla Henriques, da Associação Mulher Século XXI. O workshop foi, para si, um momento de “confronto com ideias e pré-conceitos que tínhamos e capacidade de reflexão crítica sobre os mesmos.” O que emerge nesta associação, e que se estende às restantes, é uma vontade de integrar o que foi discutido e trabalhado. Nos formulários, destaca-se o valor “as ferramentas legais e executivas existentes que promovem os direitos das mulheres no trabalho” e “a forma clara e acessível como temas complexos, como os direitos sexuais e reprodutivos e a Convenção de Istambul, foram explicados e relacionados com situações reais.”

 

Para mim, o tema dos direitos das mulheres é sensível como os temas de outros direitos, porque mexem na nossa identidade e na forma como vemos a identidade de outras pessoas. É especialmente importante trabalhá-lo com as organizações de forma inclusiva, de igual para igual, com respeito, flexibilidade e momentos de auscultação.” – Joana Caldeira Martinho sobre como trabalhar temas como os direitos das mulheres implica lidar com emoções, resistências e histórias reais.

 

Quando questionada sobre a importância de uma possível segunda edição do Ciclo de Workshops, Joana Caldeira Martinho reiterou que a chave está na continuidade. “Penso que seria muito bom para as OSC poderem dar continuidade à reflexão sobre a sua prática e sobre passarem-na para a ação! Nas sessões de acompanhamento encorajamos as pessoas presentes a comprometerem-se com ações concretas”, acrescentando que o essencial é “manter o balanço de trazer as aprendizagens dos workshops para a concretização real na prática.”

Nas sessões de acompanhamento existiu espaço para pensar e questionar. Se “as organizações são feitas de pessoas”, então transformar práticas passa, inevitavelmente, por transformar consciências. E isso começa, muitas vezes, por mobilizar pessoas a reconhecer o seu papel e o seu poder na promoção dos direitos das mulheres!

Este programa de workshops é financiado pela União Europeia. As opiniões e pontos de vista expressos são exclusivamente dos autores e não refletem necessariamente os da União Europeia ou do Netherlands Helsinki Committee. Nem a União Europeia nem o NHC podem ser responsabilizados pelas mesmas.