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Opinião

Ciberviolência de género e manosfera:
Conhecer o fenómeno para poder agir

Cartão do projeto Mulheres e Direitos com a frase «Juntas, somos o update» sobre fundo escuro, estilo terminal.

3.ª sessão de capacitação

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Ciberviolência de género e manosfera: Conhecer o fenómeno para poder agir

A 3.ª sessão de capacitação do projeto Mulheres e Direitos reuniu, a 28 de julho, cerca de meia centena de participantes de aproximadamente trinta organizações em torno de um tema que já chegou ao terreno antes de chegar à investigação nacional: a violência de género facilitada pela tecnologia e o crescimento dos discursos masculinistas online. Foi a sessão com maior adesão deste ciclo, sinal claro de que o assunto responde a uma necessidade concreta das organizações que trabalham com jovens.

A sessão contou com Verónica Ferreira, Marie Skłodowska-Curie Postdoctoral Fellow no Institute for Research on Genders and Sexualities da Dublin City University, onde desenvolve o projeto MANOS, «The MANOSphere Pill: Pathways of Boys and Men into Online Male Supremacism in Portugal and Ireland», dedicado aos percursos de rapazes e homens para o supremacismo masculino online em Portugal e na Irlanda. A investigadora colabora ainda no projeto UnCoveR, sobre violência sexual nas paisagens mediáticas portuguesas.

A tecnologia não cria a violência de género, amplia-a.

O ponto de partida da apresentação desmonta uma leitura comum: a ciberviolência não nasce na internet. É legitimada por discursos ideológicos assentes na desigualdade entre géneros e perpetuada por práticas socializadas desde a infância. A tecnologia não a inventa; facilita-a, amplia-a e reconfigura-a.

Esta continuidade entre o que acontece dentro e fora dos ecrãs tem uma consequência prática direta: combater o sexismo e a misoginia no quotidiano continua a ser a tarefa central, e a educação desempenha nela um papel insubstituível. A investigadora sublinhou que a prevenção não pode ser delegada apenas nas organizações não governamentais e apontou como retrocesso a retirada de conteúdos sobre igualdade de género da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o ambiente digital gera formas de violência que exigem respostas novas: grupos organizados para partilha de imagens íntimas sem consentimento, chantagem, cyberstalking, doxing, ataques coordenados a figuras públicas femininas e abuso sexual baseado em imagens produzidas por inteligência artificial.

A manosfera e o discurso que deixou de ser explícito

Para as organizações que trabalham com crianças, jovens e na promoção dos direitos humanos, compreender a forma como estas narrativas se constroem e circulam é essencial para prevenir comportamentos violentos, discriminatórios ou de controlo. A sessão destacou a importância de ouvir os jovens e compreender as inseguranças, experiências e preocupações que os aproximam destes discursos, sem os estigmatizar. Muitas destas narrativas partem de problemas reais, como a solidão, a rejeição, a pressão económica ou a saúde mental, mas oferecem respostas simplistas que culpabilizam mulheres, pessoas LGBT ou movimentos feministas.

O debate confirmou também que estes fenómenos já são observados em escolas, comunidades e redes sociais. Participaram na discussão organizações como a APAV e a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, bem como representantes de autarquias, do Ministério Público e de estruturas jurídicas.

Juntas, somos o update.

#MulheresEDireitos #Atualiza #DireitosHumanos #PDH #SociedadeCivil

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